R$ 10,79 bilhões. É esse o tamanho que a Abiacom projeta para o faturamento do e-commerce brasileiro no Dia das Crianças, somando o período entre 28 de setembro e 11 de outubro, com mais de 18 milhões de pedidos e alta de cerca de 10% sobre o ano anterior. O número por si só já chama atenção, mas o que importa de verdade está no detalhe: quem cresceu, como cresceu e por quê. Para quem já está pensando no Dia das Crianças 2026, os dados de 2025 contam essa história com bastante clareza.
O Índice Cielo do Varejo Ampliado registrou alta de 9,7% nas vendas online durante a semana da data em 2025. É um ritmo saudável, mas não espetacular, e isso reforça algo que quem vive de varejo sazonal já sabe: o Dia das Crianças não é Black Friday. Ele cresce de forma mais constante, menos dependente de desconto agressivo e mais ligada a planejamento de estoque e experiência de compra. Para quem vende online, isso muda a estratégia. Não adianta só baixar preço na véspera, é preciso estar pronto semanas antes.
Brinquedo ainda é o motor, e a pré-venda decide o jogo
Um dado que merece destaque: as unidades vendidas na categoria brinquedos cresceram 75% durante a pré-venda de 2025. Não é erro de digitação. Isso significa que quem só começa a empurrar campanha na semana da data já chegou atrasado. O consumidor brasileiro aprendeu a antecipar a compra de brinquedo, seja para garantir o item em estoque, seja para escapar de reajuste de preço perto da data.
As lojas virtuais que operam na Nuvemshop confirmam esse padrão: entre 29 de setembro e 5 de outubro, as vendas cresceram 22% na comparação com o mesmo recorte do ano anterior. É um salto concentrado justamente na pré-venda, não no pico da data em si. Para quem vende pela própria loja de e-commerce, a lição é direta: a campanha de Dia das Crianças começa pelo menos duas semanas antes, com estoque reservado, frete calculado e comunicação já rodando. Deixar para disparar e-mail e anúncio só na última semana é desperdiçar metade da curva de conversão.
Vale também olhar subcategorias com atenção. Brinquedo educativo, jogos de montar e itens licenciados (personagem de filme, desenho, game) costumam puxar o ticket médio para cima, porque o consumidor associa esses itens a presente mais elaborado, não a compra de impulso. Quem trabalha com catálogo amplo ganha testando essas combinações em vez de apostar só no item mais vendido do ano anterior. E vale checar o calendário de lançamento de filmes e séries infantis: um personagem em alta na telona costuma empurrar junto a categoria de brinquedo licenciado.
Pix virou preferência, não mais novidade
Se em anos anteriores o Pix ainda disputava espaço com o cartão como opção alternativa, 2025 deixou claro que ele virou o meio de pagamento dominante nessa data. A Getnet registrou alta de 32% no uso do Pix, contra 4% de crescimento do varejo em geral, uma diferença que não deixa dúvida sobre a direção do consumidor.
Outra pesquisa reforça o quadro: 80% dos consumidores preferem pagar à vista, e dentro desse grupo o Pix é citado por 58% como forma de pagamento escolhida, à frente de débito e dinheiro. Isso tem implicação prática de checkout. Se a sua loja ainda trata o Pix como opção secundária, escondida depois do cartão, está perdendo conversão. O ideal é deixá-lo em destaque, com QR code gerado de forma instantânea e sem fricção, já que parte relevante do público decide o método de pagamento antes mesmo de finalizar o carrinho.
Vale lembrar também que o Pix, sem taxa de intermediação de cartão, permite ao lojista trabalhar margem diferente. Dá para oferecer desconto no pagamento à vista ou reinvestir essa economia em frete grátis. É uma alavanca de preço que poucos ainda exploram com inteligência nessa data específica, e que faz diferença real no fechamento do carrinho.
Ticket médio, geração jovem e o papel do físico
Levantamentos locais, como o feito em Campo Grande, apontam gasto médio girando em torno de R$ 308 por consumidor na data. O valor varia por região e perfil, mas serve como referência para calibrar oferta: kits combinados, frete grátis a partir de determinado valor e upsell de item complementar (acessório, pilha, bateria extra) fazem sentido justamente nessa faixa de ticket.
A pesquisa Datafolha/Abecs trouxe outro ponto que merece atenção: o varejo físico ainda lidera em volume geral, mas o e-commerce ganha terreno mais rápido entre consumidores jovens. Isso sugere que quem investe em campanha para esse público colhe mais retorno comprando mídia em canais mobile-first e social commerce, em vez de concentrar tudo em busca paga tradicional. Faz sentido, inclusive, testar formato de vídeo curto mostrando o brinquedo em uso, já que esse público decide muito pelo apelo visual antes de clicar.
O que fazer com isso no Dia das Crianças 2026
- Antecipar a campanha: estoque, frete e comunicação prontos pelo menos duas semanas antes da data, não na semana dela.
- Priorizar Pix no checkout, com destaque visual e geração instantânea, e considerar incentivo de preço para pagamento à vista.
- Montar kits e combos em torno do ticket médio observado (cerca de R$ 300), somando acessórios de baixo custo que aumentam o valor do carrinho.
- Investir em mobile e social commerce para capturar o público jovem, que já migra mais rápido para o online nessa data.
- Acompanhar o calendário de lançamentos infantis (filme, série, game) para ajustar catálogo de brinquedo licenciado com antecedência.
O Dia das Crianças não precisa de fórmula nova a cada ano. Precisa de leitura honesta do que já aconteceu. Os números de 2025 deixaram o caminho desenhado: quem se antecipa na pré-venda, trata o Pix como protagonista e calibra oferta pelo ticket médio real entra na data na frente. O resto é ajuste fino de campanha, não reinvenção. Quem já aplica esse tipo de análise em outras datas sazonais sabe: a diferença entre um Dia das Crianças mediano e um recorde quase sempre está no planejamento feito semanas antes, não no desconto de última hora.
